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MARA RÚBIA: A LOURA INFERNAL

SINOPSE

“Nunca houve uma mulher como Osmarina. Quem não concorda com isso certamente não está ligando o nome à pessoa. Osmarina é o nome verdadeiro de quem ficou conhecida por todo o Brasil como Mara Rúbia. Sua popularidade veio de sua arte. Mara Rúbia sabia descer uma escadaria de salto alto como ninguém. Era mestre no improviso em números de plateia. Tinha um corpo escultural. Mara Rúbia brilhou no teatro de revistas, um gênero que teve seu apogeu nos anos 40 e 50 do século passado e ao qual ninguém se dedica mais. Portanto, nunca mais haverá uma mulher como Osmarina.” Arthur Xexeo.

 

O projeto visa à adaptação teatral da biografia Mara Rúbia, a Loura Infernal, e à montagem de um espetáculo inspirado nas Revistas de Bolso da Zona Sul carioca dos anos 50, para retratar em cena a vida de uma de nossas maiores estrelas, prestando, assim, uma homenagem à “Rainha das Escadarias”, a única vedete do teatro rebolado a transitar entre a Praça Tiradentes e o Teatro Municipal.

Criadora do clássico do teatro popular brasileiro, o número de plateia, no qual descia até os espectadores para brincar com o público masculino, Mara Rúbia veio de Belém para o Rio de Janeiro em 1944. Chamava-se Osmarina, tinha 26 anos e três filhos para criar – dois dos quais ficaram com os pais, no Pará. Precisava de um emprego com urgência. O mundo estava em guerra e, naquele ano, o Brasil enviava ao “front” sua Força Expedicionária.

“Precisa-se de girls”, dizia o anúncio no jornal. Apesar de não saber sequer o que aquilo significava, o ordenado era bom. Por isso, seguiu para o escritório do famoso empresário Walter Pinto. Foi ele quem a batizou com o novo nome artístico e a iniciou no teatro de forma definitiva, transformando-a em uma celebridade e símbolo sexual entre os anos de 1940 e 1950.

Conhecida por seu carisma e espontaneidade, Mara Rúbia consagrou-se como a grande estrela da Praça Tiradentes, dividindo a cena com nomes como: Dercy Gonçalves, Renata Fronzi, Vigínia Lane, Grande Otelo e Oscarito. Mas não ficou restrita à Revista. Seu talento e personalidade a levaram também ao chamado “teatro sério” e às companhias de Dulcina e Bibi Ferreira.

Após anos de estrondoso sucesso, Mara Rúbia sentiu o gosto amargo da decadência do Teatro de Revista e dos chamados “anos de garrafa”. O alcoolismo devastaria não apenas a sua vida, mas também a de seu filho mais velho. Não teve o fim que merecia. Morreu Osmarina Lameira Cintra, reconhecida apenas por um velho baleiro do Teatro Recreio, que compareceu ao seu enterro junto aos familiares e artistas mais chegados.

“De porre, e aos prantos, abraçava uma a uma as pessoas. Quando puseram o caixão no carrinho para levá-lo ao túmulo, ele começou a gritar, com os braços estendidos: ‘Não levem a minha boneca, deixem a minha boneca loura’. Sempre chorando e emitindo seu protesto, acompanhou o féretro. Aproximou-se tanto para lançar pétalas de rosa a sua diva que quase caiu na sepultura. Depois, já conformado, balbuciou: ‘Adeus, minha lourinha!’”. Isis Baião e Therezinha Marçal – Mara Rúbia, A Loura Infernal.

Escrita pela premiada autora Isis Baião, com coautoria de Gustavo Gasparani, também diretor do espetáculo, Mara Rúbia, A Loura Infernal – a peça – transforma em cena de teatro a biografia da atriz. O livro, escrito por Ísis em parceria com Therezinha Marçal, filha de Mara Rúbia, não só presta uma homenagem a essa personagem, mas relembra tantas outras, entre atores, escritores, diretores e empresários, quadros e números que marcaram o Teatro Brasileiro de Revista. E traz, como pano de fundo, quase cinco décadas de História sócio-política e cultural deste país - de Getúlio Vargas a Fernando Collor de Mello.

Por que Mara Rúbia?

No início da década de 20 do século passado, as vedetes do Teatro de Revista foram as grandes responsáveis pela divulgação da música popular brasileira, bem antes das Rainhas do Rádio, ao lançarem nos palcos sambas e marchinhas. Nos anos seguintes, com o advento do grande espetáculo de Revista promovido pelo empresário Walter Pinto, charme e beleza consagraram-nas a “bola da vez”.

Do sex appeal da vedete dependia o sucesso da Revista Brasileira. Porém, nem só de beleza viviam elas. Para se destacarem, tinham que criar cada qual o seu próprio estilo. Neste quesito, destaca-se a “Santíssima Trindade das Vedetes”, como eram chamadas pelos cronistas da época Mara Rúbia, Virgínia Lane e Nélia Paula.

Para Neyde Veneziano, autora do livro “As Grandes Vedetes do Brasil”, eram mais que um tipo, personagem ou função. “(Ser vedete) era se sentir bonita, poderosa, inteligente, e ter como objetivo fazer com que o público daquele dia jamais a esquecesse. Era transmitir através de uma alegria luxuriante a sensação de que a vida vale à pena ser vivida”.

Elas viveram em um tempo sem photoshop, silicones ou cirurgia plástica. Usavam, é verdade, enchimento e sandálias plataformas. Além de marcarem época no teatro, as vedetes foram símbolos de liberdade e emancipação feminina. Para o público, encarnavam um tipo especial e idealizado de vida. Só para o público, porque na realidade nem sempre era assim. Algumas escaparam aos preconceitos. Poucas fizeram muito sucesso. Muitas morreram esquecidas. Por tudo isso, Artur Xexéo afirma que Mara Rúbia - a Loura Infernal não é só uma biografia de uma vedete. “É um livro sobre todas as vedetes.”

E Mara Rúbia foi uma vedete e tanto! Viveu intensamente o Teatro de Revista com disciplina e paixão. Mas foi ainda assim, digamos, uma vedete diferente. Não só pela vida íntima discreta, pela rigorosa distinção que fazia entre a vida de atriz e a de mãe responsável. Tinha algo mais. Não era linda, mas encantava multidões. Era dona de um talento inato, carisma e espontaneidade impressionantes. Tinha muita garra, mas qual vedete não tinha? Tinha princípios. Exceção à regra, não era competitiva. Quando aparecia uma nova atriz, jovem e bela no teatro, era a primeira a recebê-la de braços e portas abertos. Levou muita gente para dentro de casa. Mara Rúbia foi mãe. De muita gente.

Nasci quando Mara fazia suas últimas novelas. Vi Feijão Maravilha, mas não me lembro dela. Só a conheço porque Isis Baião e a filha de Mara, Therezinha Marçal, escreveram uma linda biografia sobre aquela que entrou para a História do Teatro Brasileiro como a “Rainha das Escadarias”. Fiquei fascinada, não só com a estrela; um verdadeiro mito. Mas também, e sobretudo, com a mulher. Mara Rúbia me comoveu com sua graça, inteligência – foi uma das primeiras pessoas a entenderem o humor do Teatro do Absurdo no Brasil – e sua bondade. Mais do que correta, Mara Rúbia era uma mulher generosa. Não é à toa a unanimidade de opinião sobre ela. Todos a conheciam. Todos a adoravam!

Por tudo isso, Mara Rúbia – A Loura Infernal é um musical diferente. Genuinamente brasileiro, ligado ao gênero de maior expressão do teatro brasileiro, a Revista, versando sobre fatos históricos, revivendo momentos de ouro das Artes Cênicas no país, presta homenagem a um ícone de nossa cultura popular.

Proposta de encenação (Por Gustavo Gasparani)

O que há de real e de fantasia em um mito? Como ele se constrói, tanto do ponto de vista de quem o vê, como de quem o personifica? Estas questões estarão em cena em Mara Rúbia - a Loura Infernal.

O espetáculo mostrará a criação do mito Mara Rúbia, a grande atriz e vedete do Teatro de Revista no Brasil. Nossa história se passa em dois planos distintos: O primeiro, o real, onde as personagens da filha e da autora escrevem a biografia da vedete; e o segundo, o mítico, onde a própria Mara, junto com um grupo de artistas do teatro de revista – girls e boys que se dividem em diversos personagens que passaram pela vida da estrela, – cria a sua persona.

Em vários momentos, a “própria” Mara Rúbia se desloca entre os dois planos, corrigindo fatos, “melhorando” acontecimentos e recriando a sua própria trajetória. O que é a verdade não nos interessa na peça, o importante é a maneira como esse mito foi ganhando forma e se firmou no nosso imaginário e no cenário de nossa cultura, tornando-se uma personalidade das mais relevantes. Ideias são ligeiramente destorcidas, pequenas ilusões aumentadas e, assim, a personagem ocupa o seu lugar na história do país. E vira mito.

Evocar Mara Rúbia sem plumas, paetês, canções e coreografias, seria impossível. Por esse motivo, um grupo musical embalará toda a narrativa através de trilhas das Revistas das décadas de 40 e 50. Assim, enquanto (re)contamos sua história, simultaneamente, resgatamos o Brasil romântico e glamoroso da época de ouro do teatro musical da antiga Praça Tiradentes, tão pouco preservado e conhecido pelas novas gerações.

Ficha técnica

Texto (adaptação): Isis Baião e Gustavo Gasparani

Direção: Gustavo Gasparani

Atriz principal: A ser selecionada por meio de testes de elenco

Direção Musical: Marcelo Alonso Neves

Direção de movimento e coreografias: Renato Vieira

Iluminação: Binho Schaeffer

Elenco: Camila Amado, Luciana Mitkiewicz, Carla Soares, entre outros.

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