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DESMONTANDO BONECAS QUEBRADAS

FICHA TÉCNICA

Idealização, criação e atuação: Luciana Mitkiewicz

Dramaturgia: João das Neves, Luciana Mitkiewicz e Ysmaille Ferreira

Direção: Ysmaille Ferreira

Cenário e figurinos: Rodrigo Cohen

Criação de Vídeo: Júlio Mattos, Luciana Mitkiewicz e Ysmaille Ferreira

Trilha sonora: Luciana Mitkiewcz, Silas Oliveira e Ysmaille Ferreira

Luz: Rodrigo Emanuel

Assessoria de Imprensa: Mônica Riani e Cláudia Miranda

Mídias Sociais: Aline Miranda

"[...] a desmontagem da ilusão ideológica operada por Desmontando bonecas quebradas revela que, sob a máscara desse terror aparentemente excepcional contra a mulher, opera um terror cotidiano e invisível apenas na medida em que é considerado normal ou inevitável: o terror do sistema capitalista de produção". Patrick Pessoa (crítico e jurado Prêmio Shell) - O Globo 24/08/2019. 

Gênero em ascensão nos palcos do mundo, o teatro documentário inspira-se em fatos reais, como estes: no México, a cada 3 horas, uma mulher é asfixiada, violentada e mutilada, enquanto no Brasil o tempo de consumação do feminicídio é ainda mais gritante. Aqui, a cada 1h30 tem alguma mulher vítima de violência masculina. Convidando o público a refletir a respeito através de uma história contada de forma multimídia, a atriz Luciana Mitkiewicz apresentou, de 28 de junho a 25 de agosto, o solo Desmontando Bonecas Quebradas no Centro Cultural Justiça Federal. Sob a direção de Ysmaille Ferreira, a peça já foi apresentada também no Pará, em Londres (Latin American House/ 2018) e na Itália, nas cidades de Nápoles, Rende e Roma (VAT, Cine-Teatro Santa Chiara e Suite Mondrian/ 2018).

Composta por 17 cenas, a história de Desmontando Bonecas Quebradas entrelaça momentos de poesia com notícias da vida real a partir dos acontecimentos de Ciudad Juarez, no México, fronteira com El Paso, no Texas (EUA). A dramaturgia é coletiva. Luciana Mitkiewicz explica: “A história de Ciudad Juarez é especificamente icônica. Desde 1993, contabilizam-se na região milhares de assassinatos de mulheres sem a devida punição. Uma situação sem precedentes, que levou, pela primeira vez na História, à condenação de um país – o México – na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2009. Desde então, são mais de 4 mil mulheres desaparecidas e mais de 2 mil mortas em Ciudad Juarez. Todos os crimes seguem o mesmo padrão: sequestro, violência sexual, morte por asfixia, perfurações corporais, esquartejamento e desaparecimento dos corpos”. Como conseqüência da condenação do México na Corte Interamericana de Direitos Humanos e obrigação de uma série de reparações aos familiares das vítimas, Ciudad Juarez tornou-se referência na medicina forense.

Aspecto de fábula: "Ao olhar para Ciudad Juarez, estamos tratando de algo muito próximo de nós, como o feminicídio, por isso, é necessário buscar as causas profundas desses crimes, que se repetem de diversas maneiras em muitos lugares, mas que tem raízes históricas que nos fazem entender que a violência contra a mulher é uma verdadeira violência de Estado. Essas causas não estão na relação do casal, não estão circunscritas ao espaço da casa, não se ligam à falácia dos ‘crimes passionais’. Elas vêm de uma sociedade machista, patriarcal e misógina”, pontua Luciana Mitkiewicz.

Luciana Mitkiewicz é doutora em Artes da Cena pela Unicamp (bolsa Capes e Santander de intercâmbio de pós-graduação/ UBA – Argentina), e desenvolve uma pesquisa sobre Imagem, Imaginação e Imaginário, especificamente, em processos colaborativos de criação em teatro, foco de seu trabalho. Outros projetos realizados pela produtora são As Polacas – Flores do Lodo (texto e direção de João das Neves - CCBB Rio, SESC SP, IX Floripa Festival, Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz, Viagens teatrais do SESI), O Chá (texto e direção de Luciana Mitkiewicz - FIT Curitiba, Teatro Vanucci, Circuito SESC de Teatro), Bonecas Quebradas (Mostra Rumos Bonecas Quebradas, Mostra Mulheres em Cena - corpo e violência, no SESC Copacabana, Rio Cidade Olímpica - Centro Cultural Municipal Sérgio Porto). Além disso, foi atriz convidada pela Boa Companhia Teatro, de Campinas, de 2012 a 2015 (em espetáculos como, Circo K, Banho & Tosa e Opereta Barata).

Na infância, a atriz adorava quebrar bonecas, a ponto de transformar em nome de sua produtora (a Bonecas Quebradas Produções Artísticas) e, em 2016, criar o espetáculo Bonecas Quebradas, matriz para esta desmontagem. Grande produção, o espetáculo contou com mais duas atrizes no elenco. Em 2015, graças ao apoio do Rumos Itaú Cultural, o grupo viajou para o México quando fez pesquisa de campo sobre o tema da peça. Todo o projeto culminou com o lançamento de um livro pela Editora Azougue e com a realização de duas temporadas seguidas na cidade do Rio de Janeiro, em 2016.

O que mudou de lá para cá? “Desmontando Bonecas Quebradas é um novo trabalho teatral. Aqui, a peça vale-se do procedimento de criação e investigação artística conhecido como desmontagem, que é uma modalidade cênica que coloca a artista criadora no centro da obra, para uma conversa com o público sobre o percurso da imagem da boneca quebrada: dos primeiros devaneios infantis que eu tive até a descoberta dos casos de extrema violência contra mulheres em território mexicano. Enfatizando ainda mais a ponte com casos de violência extrema ocorridos no Brasil e com agressões que praticamente todas nós, mulheres brasileiras, já sofremos”, situa. “Hoje, a realidade do Brasil e do México em relação ao feminicídio aproximaram-se vertiginosamente. Há um processo de "juarização" de todo o continente latino-americano, afirmam especialistas, como a antropóloga argentina, Rita Laura Segato, cuja entrevista consta no livro publicado após pesquisa em território mexicano. Virou uma peça-protesto”, define.

“Narco corrido” integra trilha sonora 

Desmontando Bonecas Quebradas tem figurinos e cenário de Rodrigo Cohen. As trocas de roupa são feitas ao longo da peça, e a atriz não sai de cena ao longo de 60 minutos. Sobre o palco, o espectador avista pequenas ‘ilhas’ formadas por objetos, delimitando territórios em que as cenas, que não têm ordem cronológica, se sucedem. A atriz interpreta vários papeis, como a miss Sinaloa, a mãe, a colegial desaparecida, além de dialogar com recursos audiovisuais, que apresentam ainda outras personagens da trama. Ou seja, traz um mosaico das principais figuras femininas dessa história particular para uma reflexão sobre as analogias que as causas profundas do caso retratado têm com acontecimentos na nossa sociedade.

 

Na trilha sonora do espetáculo se destaca um ‘narco corrido’ e o funk proibidão, entre outras “pérolas” da chamada música machista popular brasileira. É comum a exaltação de chefes do narcotráfico em canções no México também, daí a analogia com o ritmo nascido nas comunidades. Mas, na trilha, também estão canções de Noel Rosa (Mulher Indigesta), Ary Barroso (Dá Nela), Camisa de Vênus (Sílvia Piranha), É o Tchan (Segura o Tchan!) e Wesley Safadão (Vai Sentar!). Dentre as projeções feitas num telão ao fundo do palco, estão imagens do filme “Narcocultura”, entrecortadas com imagens do tráfico de drogas no México e no Brasil, mas também depoimentos reais de suspeitos e da procuradora especial de Juarez, além referências ao movimento das mães das vítimas, fundadoras da ONG Nuestras Hijas de Regresso a Casa. Luciana Mitkiewicz canta também, ao vivo, “La Llorona” em Nahuatl, língua indígena ancestral mexicana.

 

Um dos muitos momentos emocionantes de Desmontando Bonecas Quebradas é a cena “Campo de Algodão”, escrita pelo dramaturgo e diretor João das Neves, um dos mais importantes artistas do teatro brasileiro, falecido em 2018. Enquanto apresenta o depoimento de uma mãe que perdeu a filha de 13 anos assassinada, Luciana espalha no palco bonecas feitas de fraldas de algodão, como se fossem sementes para fazer brotar novamente à vida as jovens brutalmente assassinadas.

“A verdade é que Juarez ficou conhecida como a cidade das mortas. Por isso, as autoridades decidiram lançar vídeos promocionais e jingles festivos como os que exibimos ao longo da peça, para ‘limpar’ o nome da cidade, já que até hoje não conseguiram ou não quiseram pôr fim a esses assassinatos. O primeiro crime ocorreu em 1993, em meio às negociações para a assinatura do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), pelos EUA, México e Canadá. No ano seguinte, se instalam em Juarez as chamadas maquiladoras, as montadoras multinacionais de produtos têxteis e eletrônicos, atraindo milhares de mulheres de várias regiões do país para trabalhar nessas fábricas, fosse por suas mãos menores e delicadas, úteis no manuseio de peças frágeis, fosse por seu temperamento mais dócil. As vítimas de Juarez são moças pobres, na maioria de ascendência indígena, trabalhadoras nas maquilas, no comércio ou em casas de família, jovens anônimas. ‘Vítimas de baixo risco’, como se diz tecnicamente nos manuais de criminologia”.

Duração:  60'

Classificação indicativa: 16 anos

Clipping: 

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=RoK2hz69X9k&feature=youtu.be

Necessidades técnicas: 

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